sexta-feira, junho 29, 2007

POU - Programação Orientada ao Umbigo

Fiquei algum tempo sem escrever, pois estava (e ainda estou) por demais atarefado, mas a algum tempo tenho pensado nesse artigo, que trata a análise de processos de uma forma bem genérica, mas não deixa de ser pertinente ao objetivo desse blog.

Primeiramente, eu gostaria de colocar, que esse artigo se destina aos profissionais plenos de informática.

Mas o que eu quero dizer com "Profissional Pleno" ?

Não é o CMMxx / ISO99999 da vida, nem o programador de grandes empresas, que trabalha dentro de uma série de regras de qualidade e produtividade, e na maioria das vezes, engessado, inclusive o cérebro, mas sim ao programador padrão do Brasil, que normalmente se forjou no mercado, e obrigatoriamente precisa de um conhecimento multidisciplinar, que envolve análise de processos, programação, vendas e suporte, não necessáriamente executados por uma única pessoa, mas que devem ser dominados pelo dono, ou em conjunto pelos sócios do negócio.

Com exceção de algumas empresas de maior porte, a maioria das empresas desenvolvedoras de software, e desenvolvedores free lancer do Brasil se enquadram no perfil acima, e a maioria desses empreendedores (uns 99%), tem na cabeça, ou na gaveta, um projeto que vai fazer ele tirar o pé da lama, um verdadeiro mapa do tesouro.

E pela criatividade do brasileiro, tem sim, muitos projetos que realmente são inovadores, alguns nas idéias, outros na usabilidade, outros na exclusividade, mas infelizmente poucos se tornam realmente um produto comercial rentável.

Daí vem a pergunta, onde está o erro ? O que não deu certo ?

Dentre muitas causas, algumas são por falta de preparo, falta de conhecimento, falta de estrutura, mas em alguns casos, o resultado se torna pouco útil devido ao uso da POU, pelos profissionais envolvidos no projeto.

Mas como definir um projeto que utilize POU ???

Normalmente é um projeto que utiliza muitos recursos da linguagem, e também do programador, o código é um código "fodão", muito louco, o programador quase tem um orgasmo com a "excelência" de código concebida por ele, mas abre mão de coisas muito importantes, como legibilidade, trabalho em equipe, e principalmente, praticidade do projeto final, no objetivo a que se destina.

Isso faz com que o resultado comercial daquele projeto, que seria o "ovo de Colombo", seja pífio, frustando quem o idealizou, e dependendo do tamanho do ego do "dito cujo", ele às vezes acha que as pessoas não estão preparadas pra maravilha que ele criou.

Mas como identificar se estamos praticando a POU ?

A característica mais forte, é quando você valoriza mais os meios que os fins, ou seja, o brilhantismo do seu código se torna mais importante que o resultado prático e a confiabilidade das regras do produto.

Normalmente, nesses casos, o cumprimento de prazos nunca é obedecido, e a legibilidade do produto final, normalmente é prejudicada, além de o resultado prático do produto não ser nem de perto alcançado.

Mas o que podemos fazer para sair dessa situação ?

Tenho algumas sugestões que vou citar em ordem de importância.

- Aparar o ego

- Estudar sobre a área que o produto se propõe a controlar

- Questionar a praticidade de uso das rotinas

- Criar uma sequência lógica para as mesmas

- Concluir o produto

- Testar em campo

- Estudar novamente

- Ajustar após os teste

- Aprender a vender (Mesmo que você vá terceirizar a venda, terá que vender a idéia ao seu parceiro comercial)

Se nos atentarmos para o fato de que em todas as áreas, a maioria das pessoas tem idéias que vão enriquecê-las, mas um menoria alcança realmente esses objetivos, vamos mergulhar nas indagações e pesquisas, buscar um maior aprendizado, tentar entender a cabeça do usuário, tentar criar produtos que realmente sejam prático e úteis, e nesse caso, podemos realmente aumentar as nossas chances de sucesso, e quem sabe o Brasil começa a mostrar o quanto é criativo.


Wesley

segunda-feira, setembro 11, 2006

Definindo um bom controle de estoques

A definição do controle de estoques, deve levar em consideração parâmetros de abrangência e de funcionalidade, e como já escrevi em posts anteriores sobre parâmetros de abrangência, estarei discorrendo agora sobre um parâmetro de funcionalidade que eu particularmente, considero o mais importante em um controle de estoques eficiente, que é a "capacidade de recuperação de informações históricas".
As principais informações históricas que a maioria dos sistemas não consegue recuperar, ou se consegue, consegue de forma ineficiente, são o saldo do produto e o custo médio, por se tratarem de informações que são sobrepostas a cada entrada (o saldo e custo médio) ou a cada saída (o saldo).
Destrinchando o problema, podemos partir de dois pontos básicos, que facilitam a boa definição do controle de estoques, que são:
Gravação dos dados de estoques de períodos pré definidos, no arquivo de estoques.
Possibilidade de reprocessamento a partir de arquivos de movimentação (vendas, compras, devolução de clientes, devolução a fornecedores, ajustes de estoque).
Mas se podemos reprocessar a partir dos arquivos de movimentação, teóricamente, qualquer sistema que tenha esses arquivos de movimentação pode obter o estoque ou custo médio em períodos anteriores. Realmente pode, mas não de forma rápida e simples, pois essa obtenção se daria a partir de reprocessamento do início pro fim, ou do fim pro início, e dependendo do tamanho dos arquivos, seria um processo extramamente demorado e complexo, uma vez que até a ordem dos arquivos a reprocessar interessa no caso de reprocessamento de custo médio.
Mas então, qual seria a solução mágica pra esse reprocessamento ? Não se trata de solução mágica, mas sim o uso de recursos semelhante ao controle de saldo em sistemas de contabilidade, que facilitam esse controle mais eficaz.
Pensei em uma forma de expor as informações que levasse o leitor a pensar, sem dar receita de bolo, mas nesse caso não encontrei a forma ideal pra isso, portanto, vou passar de forma mastigada mesmo.
Primeiramente, vamos à estrutura do arquivos de estoques:
* Chave primária
Código da empresa (Em se tratando de sistema multi-empresa)
Código do produto
Depósito (Caso o sistema contemple múltiplos depósitos)
Lote (Caso o sistema contemple controle por lotes de mercadoria)

* Demais campos da tabela
ANOREF (Ano de referência do registro de estoque)
SALDANT (Saldo do exercício anterior)
CPMES01 (Compras do mês 01)
VNMES01 (Vendas do mês 01)
DCMES01 (Devoluções de clientes do mês 01)
DFMES01 (Devoluções a fornecedores mês 01)
ABMES01 (Alimentação de balanço/ajustes mês 01)
SLMES01 (Saldo final do mês 01)
CMED01 (Custo médio mês 01)
...
...
...

CPMES12 (Compras do mês 12)
VNMES12 (Vendas do mês 12 )
DCMES12 (Devoluções de clientes do mês 12)
DFMES12 (Devoluções a fornecedores mês 12)
ABMES12 (Alimentação de balanço mês 12)
SLMES12 (Saldo final do mês 12)
CMED12 (Custo médio mês 12)
* Não citarei os demais campos do arquivo de estoques, pois o foco é o saldo e o custo médio

Os lançamentos no estoque, provenientes da movimentação ou da alimentação de balanço, deverão procurar no arquivo, e caso não encontre, abrir um registro com o código do produto, o código da empresa, o código do depósito e o ano do lançamento, deve-se também buscar se existe um registro anterior daquele produto, para pegar o saldo anterior que será alimentado no novo registro que foi criado.
Caso seja feito um lançamento, ou a exclusão de um, com exercício inferior a lançamentos pré-existentes, deve-se reprocessar os saldos anteriores dos registros subseqüentes de acordo com a característica daquele lançamento, Inclusive recalculando os campos de custo médio de cada mês.
A alimentação do estoque, proveniente de movimentação ou de alimentação do balanço, deverá alimentar o respectivo campo de movimentação ou alimentação de balanço, do mês de referência da data do lançamento, bem como o saldo final do mês, com a seguinte regra:
(+) Saldo anterior (soma do SALDANT mais os saldos dos meses anteriores)
(+) Compras do mês
(+) Devoluções de clientes do mês
(+) Alimentação de balanço do mês
( -) Vendas do mês
( -) Devoluções a fornecedores do mês
A consulta do saldo atual, pode ser feita através de uma função que retorna esse saldo, para que a mesma seja utilizada em qualquer parte do sistema, que se dará pela soma do saldo anterior, mais os saldos do mês 01 ao mês 12.
Os saldos dos meses 01 ao 12, se referem apenas à movimentação daquele mês, e não ao saldo acumulado, para que quando da necessidade de reprocessamento por causa de lançamentos em exercícios anteriores, seja necessário apenas alterar os campos de saldo anterior e custos médios subseqüentes, e caso o lançamento seja em data anterior, mas no mesmo exercício, não haja necessidade de nenhum reprocessamento de estoque, sendo necessário reprocessar apenas os custos médios dos meses subseqüentes.
Esta rotina parece um pouco complexa, mas se bem entendida, e utilizada, facilita sobremaneira o controle de estoques, e possibilita total rastreabilidade dos estoques a partir das movimentações.
As possibilidades de utilização, ficam a cargo de cada projetista de software, mas garanto que existem tanto possibilidades operacionais, quanto gerenciais.

Controle de estoques em múltiplos depósitos

Uma outra forma de controle de estoques que se faz necessária em alguns segmentos, é o controle de estoques em múltiplos depósitos.
Temos alguns exemplos das necessidades desse controle, e em alguns casos, o produto não se encontra específicamente em outros depósitos, mas talvez em poder de terceiros, como no caso de compra para entrega posterior, ou no caso de produtos em poder de algum prestador de serviço, para execução de algum tipo de transformação do mesmo. Neste último exemplo, há o caso de empresas que trabalham com aço, que podem ter bobinas em poder de empresas que as transformarão nos mais diversos produtos, para posteriormente enviar ao destinatário. Note que as empresas que estão em poder das bobinas de aço, não venderão os produtos finais dessas bobinas às empresas destinatárias, mas sim, o serviço de transformação das mesmas.
Mas o controle em si, de múltiplos depósitos, se dá de forma parecida ao controle de estoques por lote, e podemos ter casos, onde se fazem necessários os dois controles, portanto, já concluímos a necessidade de se ter um registro de estoque para cada depósito onde se encontre um determinado produto, e também para cada lote, em caso de empresas que tenham essas duas necessidades.
Também de forma similar ao controle por lotes, devemos informar no ato da venda, em qual depósito se encontra a mercadoria que está sendo vendida, para que o estoque seja baixado no depósito adequado.
Como sugestão, seria interessante ter no sistema, uma rotina de transferência de estoques entre depósitos, pois essas transferências ocorrem com uma regularidade bem maior do que se imagina.
No próximo post, estarei falando sobre a definição do arquivo de estoques, de forma a permitir a obtenção do estoque em qualquer período do passado.

Controle de estoques por lote

Uma das necessidades que se faz em alguns segmentos, é o controle de estoques por lote, em função do prazo de validade dos produtos.
Os produtos neste caso, tem o mesmo código de barras, mas possuem lotes, e consequentemente, validades diferentes.
O primeiro ponto a se observar neste caso, é a forma de se armazenar as informações do estoque, pois precisamos saber exatamente, a data de compra, o número do lote, a validade, o custo, o fornecedor e a quantidade de estoque de um determinado lote.
Os casos mais clássicos de controle de estoques por lotes, são as drogarias e os supermercados, por trabalharem com produtos perecíveis, e portanto, com tempo de vida limitado.
Em cada um desses segmentos, podemos ter mais de um lote de um mesmo produto, e nesta hora, entra a necessidade da logística de armazenagem e venda, afim de se evitar que um produto perca a sua validade enquanto um outro, com um prazo de validade posterior, seja vendido em detrimento do primeiro. Parece simples esse controle, mas nesses dois segmentos, há grande perda de produtos em decorrência de vencimento do prazo de validade, em função da ineficácia do controle de estoques.
Mas então, o que fazer para se controlar estoques que tenham essa particularidade ?
Simples, mas nem tanto, hehehe...
Primeiramente, no arquivo destinado às informações do estoque, deveremos ter um registro para cada lote do mesmo produto.
A segunda parte, diz respeito à rotina de vendas, pois é essa que deve controlar e evitar que um produto seja vendido, se houver um outro lote, com validade anterior a este, e para tal, deve-se no ato da venda, informar o número do lote, para que o sistema verifique se existe aquele produto com prazo de validade inferior ao atual.
Um outro detalhe que ajuda neste trabalho de controle por lotes, é acondicionar os produtos com lotes mais velhos, na frente dos mais novos, para que sejam retirados das prateleiras, em caso de drogarias, ou do depósito para as gôndolas, em caso de supermercados, na ordem correta da cronologia dos lotes.
No próximo artigo, estarei falando de controle de estoques em múltiplos depósitos.

terça-feira, setembro 05, 2006

Cadastro de produtos compostos

Uma outra necessidade que se faz presente em um sistema que possua um cadastro de produtos genérico, é o cadastro composto (produto composto de outros produtos), e uma boa prática, é que os dados do produto principal, estejam cadastrados juntamente com o cadastro de produtos comuns, pois isso permitiria que um produto composto tivesse em sua composição, outros produtos compostos.
Para essa implementação, podemos criar uma tabela, onde informamos o código do produto composto, o código do produto que o compõe e a quantidade desse produto usada na composição, sendo que nessa tabela pode haver o código de um outro produto composto.
Para a baixa dos produtos que compõem o produto composto, temos duas opções, sendo:
Baixa na venda – Quando da venda do produto composto, baixa-se os produtos que o compõe nas respectivas quantidades da composição.
Rotina de composição – Neste caso, quando da composição, informa-se em uma rotina de composição de produtos, qual o produto que foi composto, e a quantidade que foi composta, e baixa-se o estoque dos produtos individuais, e suas respectivas quantidades, pela fórmula de composição previamente cadastrada, e dá-se a entrada no estoque do produto composto.
Não podemos confundir composição com industrialização, pois na industrialização, temos outros fatores, como perdas, subprodutos, rendimento, etc., o que será tema de outro post no futuro.
Em dois dias estarei postando as particularidades do estoque, por ser parte integrante do cadastro de produtos em um sistema de controle de estoques.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Cadastro de produtos, simples, mas nem tanto

Uma das causas do sucesso do cadastro de produtos, é o estudo da abrangência do mesmo, que pode ser específica, ou genérica.
Numa definição de abrangência específica, estaremos definindo o cadastro, para um determinado segmento de mercado, o que fará com que o desenho do cadastro tenha características voltadas a esse segmento, e na definição de abrangência genérica, estaremos definindo o cadastro para que atenda a vários segmentos, e é deste modelo de definição, que trataremos neste artigo.
Em se tratando de uma definição genérica, temos informações básicas, que se repetem em praticamente todos os segmentos que o sistema se propõe a controlar, e algumas não tão comuns.
Entre as informações que seria interessante acrescentar a um cadastro genérico de produtos, podemos citar as seguintes:
· Unidade: onde se informa a unidade do produto, por ex: MT, KG, UM, PC, etc., e é uma boa prática, buscar as informações em uma tabela onde são cadastradas as unidades, pois isso dá liberdade ao cliente de incluir novas unidades que não as tradicionais como as citadas acima.
· Aplicação: onde se informa onde aquele produto se aplica, por exemplo, uma determinada peça se aplica ao motor de um veículo, ou um determinado tipo de aviamento, que se aplica ao acabamento de uma roupa.
· Código de barras: onde se cadastra o código de barras do produto, o que facilita a identificação do mesmo, e reduz a possibilidade de se cadastrar repetidamente um determinado produto. O padrão mais comum de códigos de barras, é o EAN13, mas existem outros padrões que eventualmente são utilizados.
· Número original: onde se informa o número de fabrica do produto, mais utilizado no ramo de autopeças, normalmente se informa o número do produto de marca, por ex: O amortecedor XXXX do fornecedor YYYY, equivale ao original Monroe de número 01053722.
· Número do fabricante: Onde se informa o número do fabricante do produto, por ex: O amortecedor XXXX do fornecedor YYYY, equivale ao original Monroe de número 01053722 e o seu número no fornecedor YYYY é ZKY274421.
· Locação: onde se informa a localização física do produto no estoque.
· Peso bruto: onde se informa o peso bruto (com embalagem inclusa) do produto.
· Pelo líquido: onde se informa o peso líquido (sem embalagem) do produto.
· Garantia: onde se informa a garantia de venda do produto, que pode ser expressa em meses, dias, anos, ou alguma outra unidade de tempo que se prefira.
· Margem de lucro: onde se informa a margem de lucro, para efeito de cálculo automático do preço de venda quando da entrada de produtos no estoque.
· Percentual de desconto: onde se informa o percentual máximo de desconto permitido para aquele produto.
Além das características citadas, existem algumas voltadas à identificação do produto, que estão mais presentes em produtos ligados à moda, que são:
· Cor: onde se informa a cor do produto.
· Número: onde se informa o número, ou medida do produto.
· Modelo: onde se informa o modelo do produto.
· Tipo: onde se informa o tipo de produto. Este informação, se aplica a também a produtos que não estejam ligados à moda, e pode ter um uso gerencial.
Existem ainda outras informações adicionais, que podem ser utilizadas em um cadastro genérico de produtos, mas estas são as mais usuais.
Observe que não foram citados os campos comuns utilizados no cadastro de produtos, pois é destes que partimos para os demais, e também não foram citados campos destinados ao controle fiscal, por se tratar de um tema bastante complexo, para o qual caberiam vários artigos.
Estarei postando amanhã, sobre cadastro de produtos compostos.

sábado, agosto 26, 2006

Cadastro de clientes - mais que um simples cadastro

Muitos programadores, não vêem no cadastro de clientes, mais que um simples arquivo onde se armazena os dados dos clientes da empresa, mas o cadastro de clientes, vai bem além disso, pois pode e deve conter informações que possibilitam a extração dados gerenciais, bem como, deve conter informações que ampliem a gama de abrangência do sistema.
A nível operacional, algumas práticas podem tornar o seu sistema mais prático, como por exemplo:
* Um campo separado para o número, separando o mesmo do campo de endereço, pois isso facilita serviços de cobrança, mala direta, etc.
* Ter disponível uma base de dados de CEP's, ou ter em seu sistema uma rotina de acesso ao webservice dos correios (tem no news de Delphi da Unipar, um criado pelo usuário Junior/RO), para que ao informar o CEP, evite a digitação de cidade, estado, bairro e logradouro.
* Ter um campo para a rota de cobrança, buscando essa informação em um cadastro de rotas, pois isso facilita o trabalho de cobrança e também de distribuição de produtos, em se tratando de empresas que fazem entregas.
* Ter um campo destinado à informação de convênio, buscando essa informação em uma tabela auxiliar de convênios.
* Ter um campo onde se informa o código do vendedor, em caso de carteira de clientes exclusiva por vendedor.
* Ter um campo onde se informa a forma de pagamento, buscando essa informação em um arquivo de formas de pagamento, para ser informado caso exista uma forma de pagamento específica para o cliente.
* Informar em uma tabela auxiliar, dados das referências comerciais, bancárias, SPC/SERASA ou mesmo informações internas, tantas quantas se fizerem necessárias.
* Informar em uma tabela auxiliar, outros endereços. Essa informação se faz relevante, caso a empresa venda para produtores rurais, pois neste caso, os mesmos, se possuírem mais de uma fazenda, possuem inscrições estaduais individualizadas por fazenda, sob o mesmo CPF, então, adotando-se essa prática, elimina-se a redundancia de dados cadastrais do cliente, pois em um único cadastro, pode-se cadastrar vários endereços ou fazendas, com suas respectivas inscrições, facilitando com isso, o processo de faturamento e também a classificação das vendas, por inscrição.
Outras informações a nível operacional, podem se fazer necessárias, dependendo do segmento empresarial, por isso é importante que os desenvolvedores sejam bastante críticos e auto-críticos.
Mas e quanto a informações gerencias, quais seriam ?
Dentro das informações operacionais, existem algumas que são também gerenciais, por servirem aos dois propósitos, com por exemplo a rota e o convênio, que facilitam a obetenção de relatórios gerenciais de vendas, como por exemplo curva ABC de vendas por rota ou convênio.
Mas existem também as informações que tem um enfoque mais voltado para a parte gerencial, como por exemplo:
* Profissão do cliente pessoa física - Importante para a obtenção de relatórios que indiquem tendências de consumo, ou até mesmo para se indenficar a lucratividade média de vendas, em função de desconto concedido.
* Segmento empresaria do cliente jurídico - Neste caso se aplicam os mesmos gerenciais expostos acima, mas podemos extrair outros, como produtos de uso repetitivo, que possibilitam direcionar campanhas de marketing específicas a um determinado segmento.
* Time de futebol que o cliente torce - Essa informação, deve ser utilizada com extremo critério, pois ligar pra um cliente depois que o time dele ganhou, é uma bajulação escancarada, e discutir com o cliente futebol, nem se comenta, mas pode-se enviar um brinde, do time que o cliente torce, no aniversário do cliente por exemplo, isse seria de bom gosto.
Mas o mais importante, é não deixar de fazer o básico, o trivial, como por exemplo, enviar uma cartinha de felicitações no mês de aniversário do cliente, e também ligar para o cliente, ou enviar um email, uns dois ou três dias após a venda, perguntando da sua satisfação com o produto ou serviço adquirido.

quinta-feira, agosto 24, 2006

Juntar tudo e bater no liquidificador

Como o título já diz, um bom sistema gerencial, precisa no final, permitir o uso em conjunto de todos os processos destinados à boa administração do estoque, de forma simples e descomplicada, para que o sistema possa ser utilizado por diversos segmentos empresariais, e com diversos níveis de cultura administrativa.
É importante que se veja por exemplo, que um determinado produto, indica pelo seu histórico de vendas, que por uma questão sazonal, não será bem vendido nos próximos meses, mas se o custo de reposição do mesmo estiver baixo, e a soma do mesmo ao custo de oportunidade for inferior ao que provavelmente seria o seu custo na alta temporada, apesar da pouca probabilidade de venda mais imediata, a compra seria benéfica à empresa. Vamos tornar a coisa mais clara através de um exemplo:
Produto X
Giro dos últimos 3 meses: 50
Saldo em estoque: 10
Defasagem: 40
Giro médio (histórico) dos próximos 3 meses: 5
Giro médio (histórico) dos 3 meses seguintes: 50
(Teóricamente não deveríamos comprar, pois a quantidade em estoque é superior ao giro médio dos próximos 3 meses)
Custo da ultima compra do produto X: R$ 10,00
Custo de reposição (preço de venda atual no fornecedor) : R$ 6,50
* O fornecedor está com custo mais baixo devido à baixa rotatividade prevista para os próximos meses
Se temos uma defasagem de 40, e se venderemos em média mais 5 nos próximos 3 meses, então, para aproveitar o baixo preço de custo, devemos comprar mais 45 unidades.
Mas como saber se esse baixo preço de custo é vantajoso ?
Aplicando-se o custo de oportunidade ao custo do produto, que é a remuneração que obteríamos com o nosso dinheiro, através de uma aplicação financeira.
Suponhamos de forma otimista, que conseguiríamos um rendimento livre de 1% am do nosso capital, dessa forma, nosso custo final seria:
R$ 6,50 + 1% = R$ 6,57
R$ 6,57 + 1% = R$ 6,64
R$ 6,64 + 1% = R$ 6,71
Neste caso, o custo final seria de R$ 6,71 e o custo previsto para o perído de alto giro, seria de R$ 10,00, portanto, tem-se um ganho de R$ 3,29 em unidade, o que significa R$ 148,05 em 45 unidades.
Imagine se o módulo de compras do seu sistema faz todo esse levantamento e passa de forma mastigada para o seu cliente...
Isso é qualidade que faz diferença.
Existem muitas outras formas de se cruzar informações gerenciais de estoque, afim de se otimizar resultados, mas o objetivo desse blog, e incentivar o pensamento criativo, por isso sempre teremos textos que mostram possibilidades, mas incitam à criação.

Vendas com conhecimento de causa

Esse título pode parecer um pouco estranho, afinal, conhecimento de causa é o mínimo que se espera em uma venda, mas o conhecimento de causa a que me refiro, é a visão ampla do processo de venda, onde já temos de forma planejada, o que vender, pra quem vender e por que preço vender.
Esse planejamento de vendas, só se faz possível através da visão gerencial do estoque, pois é lá que identificamos por exemplo, os produtos com baixo giro e alto custo de oportunidade, o que nos dá subsídio para definirmos promoções de preços, que forcem a saída desses produtos do estoque, e o reinvestimento do valor recebido em mercadoria de giro, ou até mesmo em reforço de caixa.
Mas ainda temos mais uma variável, que é "pra quem vender", mas isso pode ser obtido através de algumas técnicas de CRM, quando podemos melhorar em muito o retorno de uma promoção ou campanha de vendas.
Podemos retirar do nosso histórico de vendas, informações de clientes que já tenham comprado produtos que estejam em promoção, ou que porventura tenham algo onde aqueles produtos possam ser utilizados.
Podemos ainda, identificar qual o segumento empresarial, ou qual o tipo de profissional que adquire um determinado tipo de produto, e direcionar uma campanha de marketing a esses segmentos ou profissionais, melhorando assim o retorno das vendas.
Temos ainda a venda dos produtos de giro, que por serem de giro, a uma primeira impressão nos parece não carecer de nenhuma atenção especial, mas isso é um grande equívoco, pois tão importante quanto adimnistrar e reduzir os produtos de baixo giro, é também administrar as vendas dos produtos de giro, através de contatos com os clientes, ações de marketing de divulgação, definição de metas de venda e etc, pois nos produtos de giro, temos uma variável sobre a qual não temos muito controle; a concorrência.
Esse texto parece muito mais voltado para a administração que para a informática, mas é através de um bom sistema gerencial, que se obtém as informações necessárias ao subsídio de tudo o que foi dito acima.

sábado, agosto 19, 2006

Visão gerencial do estoque

3 - Visão gerencial do estoque

E vender bem, o que significa ?
Pra muitas pessoas, pode significar vender muito, ou vender com uma boa margem de lucro, o que não deixa de ser verdade, mas para vender bem, é também de suma importancia, ter uma visão estratégica do estoque, atividade negigenciada por grande parte dos administradores, e para isso é que se torna interessante a classificação dos produtos em grupos, subgrupos e marcas.
A partir dessas classificações, podemos administrar os estoques de cima pra baixo, ou seja, do todo para o específico, o que torna a tarefa de administrar o estoque, bem mais ágil e eficiente.
Com um cadastro de produtos bem classificado, e possuindo dados históricos de vendas, poderemos obter uma enorme gama de informações gerenciais, como por exemplo:
- Tempo médio de permanência no estoque, por grupo ou marca
- Curva ABC de vendas por grupo ou marca
- Curva ABC de vendas por grupo + subgrupo
- Participação percentual no estoque, de grupo ou marca
- Participação percentual X faturamento
- Faturamento X lucratividade
- Custo de oportunidade, baseado no tempo médio de permanência no estoque
E muitas outras opções de cruzamento de informações, que podem enriquecer o sistema e realmente se tornar uma ferramenta útil para a empresa usuária do mesmo.
Desenvolvedores com criatividade, podem mostrar essas informações através de gráficos, relatórios e comparativo visual de valores, e estas informações passam a ser vitais para o processo decisório do administrador de estoques.
E de que forma isso ajuda na venda, ou faz com que possamos "vender bem" ?
A partir do momento que se tem um estoque "quente", ou de alto giro, reduz-se a necessidade de capital adormecido, melhorando com isso o fluxo de caixa da empresa, pois a mesma começa a trabalhar com produtos de mais alto giro, aumentando o faturamento em relação ao estoque disponível, e reduzindo o custo de oportunidade, que nada mais é que o custo das mercadorias paradas no estoque, consequentemente, aumentando a lucratividade.

Compras

2 - Compras
Uma boa administração de estoques, pode ser definida em dois princípios básicos:
A - Comprar bem
B - Vender bem
Comprar bem, significa comprar mercadorias que terão giro rápido com risco reduzido de ficarem encalhadas no estoque. Mas de que forma podemos identificar essas mercadorias ?
Existem basicamente duas formas de se identificar as mercadorias que certamente terão uma boa rotatividade, que são o giro e as tendências futuras.
O giro se aplica a produtos que não sofrem muitas variações, como por exemplo, peças de veículos, materiais básicos de construção, etc. Já a tendência, se aplica a produtos que sofrem grande mutação em cores, modelos, padrões, etc, como por exemplo, roupas, móveis, celulares, eletrodomésticos, etc.
De acordo com o seguimento em que se encaixa a empresa, ela pode optar por comprar baseado no giro, na tendência ou em ambos.
A compra baseada no giro, tem um fator importantíssimo, que é a sazonalidade, pois muitos produtos tem um maior giro em determinados meses do ano, sendo um exemplo clássico, o guarda chuvas, que obviamente é mais vendido no período das chuvas, ou peças de plantadeiras agrícolas, que são mais vendidas na época do preparo do solo para plantio.
Na hora da compra, deve-se analisar o giro da mercadoria em um determinado período, por exemplo, se vamos comprar pros próximos três meses, devemos observar o giro dos três meses anteriores, e se tivermos dados históricos de vendas, devemos observar qual é a média de vendas dos próximos três meses, pois em função da sazonalidade, o volume de vendas dos próximos meses pode ser diferente do volume dos meses anteriores.
A compra baseada em tendências, se diferencia da compra baseada em giro, porque a tendência é ditada pela mídia, portanto, pra empresas que trabalham com produtos que são adquiridos em função da tendência, uma boa dica é observar essas tendências nas novelas, pois ali são os primeiros lugares onde elas são lançadas.
Uma particularidade das empresas que trabalham com produtos adquiridos em função da tendência, é que entre esses produtos, existem aqueles que não obedecem a essa regra, que são os produtos tradicionais, mas o giro destes produtos, não deve ser observado pelo produto em si, mas pelas características do produto, como cor e modelo, pois existem algumas cores e modelos, que persistem independentemente das tendências ditadas pela mídia.

Análise gerencial de estoques

Por se tratar de um assunto um tanto quanto extenso, eu dividirei o mesmo em cinco tópicos, para que possa ser melhor entendido, que serão:
1 - Rotinas do controle de estoques
2 - Compras
3 - Visão gerencial do estoque
4 - Vendas
5 - Juntar tudo e bater no liquidificador
1 - Rotinas de controle de estoques
Um dos primeiros programas que os novos programadores se dispõem a desenvolver, é o controle de estoques, que é bem mais do que simples rotinas de entradas e saidas no estoque. A princípio, um controle de estoque que contemple apenas o controle físico, sem se ater ao controle fiscal precisa contemplar no mínimo as seguintes rotinas:
Cadastro de produtos
Cadastro de grupos
Cadastro de subgrupos
Cadastro de marcas
Cadastro de unidades
Cadastro de tabelas auxiliares (cor, tamanho, modelo)
Compras de produtos
Vendas de produtos
Devoluções de clientes
Devoluções a fornecedores
Ajustes de estoque
O uso em conjunto dessas informações, nos permite a criação de um controle físico de estoques, atendendo às necessidades operacionais da empresa, mas um controle de estoque vai bem além, pois dele podem ser extraídas diversas informações gerenciais, que auxiliam as empresas, e que diferenciam bons sistemas de controle de estoques, da maioria dos programas existentes no mercado, e é exatamente sobre isso que trataremos nos próximos tópicos.

Objetivo deste blog

O objetivo deste blog, será discutir e compartilhar a minha experiência ao longo de 20 anos, em análise de processos gerenciais e operacionais de diversos segmentos empresariais, para o uso prático dessas análises, no desenvolvimento de sistemas informatizados, uma vez que, hoje, a maioria dos profissionais que se formam em cursos universitários voltados para a área de informática, sabem como fazer, mas tem extrema dificuldade em saber "o que fazer".